ROBERT KLINGENFUS: Vinhos excelentes, conceito mais ainda....


Hoje  eu tive o prazer de conhecer Robert Klingenfus. Enólogo, viticultor e proprietário de cerca de 30 hectares na Ausace. Figura simpática, terna, carismática e ..... inteligentíssima. Grande pessoa. Quem tiver a oportunidade de conhecer os vinhos, ou ao menos, a historia de Robert, vale a pena. É uma daquelas pessoas que so de abrir a boca já te ensina mais do que muito pseudo-curso de vinho por ai.





Sua família tem uma historia muito louca e muito bonita. Uma parte da família fez fortuna fazendo sapatos de couro com um pingentinho na ponta, na Época Medieval ( é, aqueles mesmos que vemos nos filmes.... ) durante mais de 300 anos. Outra parte da família, judia, era de ourives. Em uma das revoluções sociais as famílias foram dizimadas e o que restou foi passar na Suíça – fazendo vinho. Ele é a décima nova geração de vinhateiros fazendo vinho. Aprendeu com o pai. Que aprendeu com o pai. Que aprendeu com o pai. O sobrenome dele, inclusive, quer dizer “chocalho em cima do sapato”.... claro.



 
 


Ele se classifica como agricultura integrada. Não como orgânico, não como biodinâmico, não como natural. Ele acha que alguma pessoas são, alem de radicais, pouco instruídas, e acabam, por falta de conhecimento e abuso de radicalismos, fazendo vinhos puros, mas ruins. O objetivo dele é fazer, através do resgate de conhecimentos “ancestrais” e de conhecimentos enologicos técnicos, fazer um vinho puro... e bom. Sem defeitos.



 
 


Já ouvi muito esse tipo de discurso, e dai entramos em um ponto delicado. Como eu disse, nem todo natural é bom e nem todo convencional é ruim. Mas o que ele propõe é muito interessante. É não tirar o vinho de seu âmbito temporal. É enquadrar o “fazer” do vinho na sua época, dentro dos conhecimentos existentes hoje de enologia, mas sem esquecer – importantíssimo, sem esquecer nunca – os conhecimentos ancestrais ligados as forcas da natureza. Assim, é possível, através do conhecimento atual e do conhecimento passado, fazer um vinho puro, autentico, sincero e excelente.



 
 


A julgar pelos vinhos que provei, ele esta conseguindo....rs.





Como tudo nessa vida é uma questão de aprendizagem, aprendi mais uma. Vitivinicultura integrada. A “verdadeira” vitivinicultura
Raisonné. E pasme. É certificada.  Um braço da ECOCERT, quem certifica a agricultura integrada é a ECOTEST. As regras passam desde o uso de tratamentos fitoterápicos a não utilização de trabalho infantil.



 
 


Alem disso, Robert aplica o que podemos chamar de um conhecimento amplo da dinâmica energética do vinhedo. Complicado? Nem tanto. É um biodinamismo sem selo e sem cartilha. Ele observa, cuida, segue os fluxos energéticos e os calendários lunares, alem de fazer com que as vinhas estejam em constante equilíbrio com o meio, para que cresçam saudáveis e produzam uvas sãs. O solo não é tratado com herbicidas, nem pesticidas ou agrotóxicos, por isso se mantém aerado e cheio de vida; esta, responsável pela riqueza e “alimentação” dele mesmo. Um solo vivo vai dar todos os nutrientes que a videira precisa. As raízes, por sua vez, vão penetrar mais fundo e, desta maneira, transmitir uma verdadeira autenticidade de terroir.



 
 


Ele também foi certificado com o HVE, ou “Haute Valeur Environnementale “. Falei dele no post passado.





Bom, mas vamos aos vinhos.





Quando começamos o papo, ele preferiu iniciar com a degustação. Adorei. Pensei comigo mesma: “ ahnnn rann, sinal de que os vinhos falam por eles mesmos, já gostei “. E estava certa. Mesmo você não sabendo de nada dos bastidores ( o que eu acho fundamental, mas enfim.... ), o vinho realmente fala por ele mesmo.



 
 


Provamos um Riesling, um Gewustraminer e um Pinot Blanc.  De inicio, achei que iríamos experimentar primeiro o Pinot Blanc, depois o Gewus, depois o Riesling. Nope. Primeiro o Riesling, depois o Gewus e depois o Pinot Blanc. Era um Grand Cru.





Todos os vinhos eram excelentes, para inicio de conversa. Sérios, complexos, cheios de acidez e profundidade. O Riesling era frutado, leve, e extremamente seco na boca. O Gewus, explodia em flores e creme nívea clássico, gordo e untuoso na boca.... e também extremamente seco. Tipo do vinho que da um no na cabeça. O Pinot Blanc – Jesus amado, o que era aquilo? – era algo espetacular. Tinha queijo, tinha musgo, tinha flor, tinha decomposição, tinha frescor, tinha.... tudo. Nota mil.





Robert veio para o Brasil para divulgar seus vinhos para importadores. Eu mesma estou interessada em trazer, mas de qualquer maneira, minhas importações são super pequenas, praticamente para atender a Enoteca. Portanto, estou aquifazendo a maior propaganda pois esses vinhos merecem estar no Brasil.





Quando perguntamos sobre a velha questão dos vinhos brancos e o baixo consumo no mercado brasileiro, ele nos respondeu: vocês tem 5000 quilometros de costa. Um dia o Brasil vai perceber que tem o clima ideal para o consumo de vinhos brancos.





Genial....rs





Os seus vinhos estão em vários países, principalmente na Ásia. Não sei se é por esse motivo ou não, mas imagino que eles saibam que esse tipo de vinhos combina perfeitamente bem com as culinárias asiáticas.





Salut!

 

HVE: “Haute Valeur Environnementale “; alternativa para certificação em sustentabilidade.



 

Provei os vinhos de Robert Klingenfus ontem, e fiquei impressionada com sua seriedade, tanto em termos de conceito quanto em qualidade de vinhos. O posto sobre os vinhos vem em seguida. 

O interessante  é  que dois minutos de conversa com ele derruba tudo o que os “anti-naturebas” gostam de dizer sobre os naturebas em geral. Que são pessoas sem estudo, meio porralocas, e que fazem um vinho quase que hippie, quando não, místico. Pois bem, quem falta estudar um pouco é esse pessoal. Mas disso eu falo mais pra frente.... rs

Esse produtor me apresentou um certificado que nunca tinha visto antes – pois é, sempre aprendendo – que é um certificado muito interessante visando a sustentabilidade, e não rótulos de orgânico ou biodinâmico. É o HVE.

Coisa bem recente e bastante seria. Esta certificação é o resultado de um ato jurídico (chamado de Grenelle de l'Environnement) instigado na França no ano de 2007, para incentivar o desenvolvimento sustentável.  Isso surgiu como uma alternativa para a agricultura orgânica. É um reconhecimento oficial para aqueles que estão comprometidos ecologicamente, mas não necessariamente tem uma abordagem orgânica. Ele inclui tres níveis de exigências ambientais, e somente quem atinge os tres níveis tem direito a ser certificado com o HVE , ou “Haute Valeur Environnementale “.





Em primeiro lugar, é interessante dizer que não são certificados concorrentes, mas sim, complementares. Ninguém aqui é contra a pratica do outro, muito pelo contrario. São opções.





Um viticultor orgânico certificado tem que seguir um conjunto preciso de especificações, enquanto um viticultor certificado HVE deve atingir determinados valores de referência para os indicadores de desempenho ambiental dentro dos âmbitos ambientais e dentro dos 3 niveis de “avaliação”. O procedimento para obter a certificação HVE é, portanto, objetivo e quantificado, o que da seriedade para o projeto. Ele é construído em torno de quatro temas: biodiversidade, estratégia fitossanitária, manejo da adubação e manejo de recursos hídricos. Ou seja, sustentabilidade. 

Salut, salut, salut......






Fulvia Pinot versus Borgonhas....... vale a pena ler!

Artigo extraido do site Tormentas, de Marco Daniele, o vinhateiro. Copio aqui ele intregralmente ( o texto original..... rs ) pois nao tenho nada o que acrescentar, a nao ser os meus parabens e o meu..... "eu nao disse?" ...rs

Salut!!
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EM DEGUSTAÇÃO ÀS CEGAS, FULVIA PINOT NOIR 2011 É POSTO À PROVA AO LADO DE TRÊS VINHOS DO DOMAINE DE LA ROMANÉE-CONTI

NOTA DO VINHATEIRO

Ao divulgar as notícias abaixo não tenho a pretensão de me comparar, em qualidade ou importância, à instituição Domaine de la Romanée-Conti ou qualquer outra legenda do mundo do vinho. Quero lembrar, igualmente, que jamais patrocinei comparações dessa ordem. Pelo contrário: o empresário Faiçal Murad, fervoroso entusiasta do Fulvia Pinot Noir, adquiriu dezenas de caixas desse vinho e compartilhou muitas de suas garrafas com amigos antes de idealizar as três comparações às cegas aqui descritas. Entusiasmado com o potencial de nosso terroir, Faiçal é um enófilo apaixonado pela Borgonha. Não trabalha com vinho, nada ganha para divulgar meu trabalho e mesmo as garrafas aqui usadas foram por ele compradas. Só tomei conhecimento dos fatos quando recebi a correspondência abaixo, que acho importante tornar pública sem contudo desejar menosprezar ideologias, tradições ou instituições - mesmo porque meus clientes são livres para divulgar como bem entenderem os vinhos que compram. Claro que a comparação de um vinho brasileiro com Romanée-Conti reverterá mais em protestos que cumprimentos, em todo caso, a iniciativa não foi minha. Meu objetivo continua sendo produzir vinhos de forma mais natural possível, sem correções ou manipulações. Mas quando os resultados são comparados a ícones da vinicultura mundial é impossível restar indiferente. Entretanto, é minha responsabilidade lembrar que pouca influência tenho sobre esses resultados: eles são mero reflexo de uma vocação natural de nosso clima e de nosso solo.

Não é a primeira vez que Fulvia Pinot Noir surpreende em comparações às cegas com vinhos da Borgonha
(veja matéria em Prazeres da Mesa). Nem tampouco é a primeira vez que é comparado a vinhos do Domaine de la Romanée-Conti (Veja artigo de Ed Motta).

É meu parecer que Fulvia Pinot Noir diverge dos vinhos da Borgonha em estrutura e estilo. Embora fã incondicional dessa região, seria impossível "copiar" seus vinhos. O caráter da casta é, de fato, fortemente presente nos meus pinots - mas reflete outro terroir. A grande confusão gerada por essas degustações às cegas decorre da má interpretação dos resultados pelo público: há que se considerar que em provas às cegas elege-se o vinho que mais excita os sentidos em determinado momento, e não necessariamente o que melhor reflete a região de origem - muito menos a História ou a tradição. Quando Ed Motta compara Fulvia Pinot Noir ao Domaine de la Romanée-Conti creio que se refira à dignidade, e não à tipicidade. Quando Fulvia Pinot Noir fica ligeiramente à frente de um exemplar do Domaine de la Romanée-Conti na preferência do grupo abaixo - em que pese tratar-se de degustadores experientes -, pode que aquela garrafa, aquela safra, tenha naquela noite agradado menos que o pinot brasileiro. Vinho é acima de tudo prazer, e o prazer nem sempre anda de mãos dadas com a racionalidade. O que importa, para mim, é que o prazer do vinho ande sempre de mãos dadas com a sinceridade de uma vinicultura natural.


Marco Danielle, maio de 2013


                             


São Paulo, 18 de abril de 2013
Caro "Mago"

Segue um relato de três degustações em que coloquei o "nosso" Fulvia Pinot Noir 2011, o resultado me enche de orgulho por termos um vinho com tamanha qualidade .

Como ja lhe disse, me dedico aos estudos sobre vinhos há quase 20 anos. Faço parte de 3 grupos de degustação, o primeiro formado há exatos 12 anos, onde degustamos uma vez por mês; o segundo é um grupo formado na ABS de São Paulo, também degustamos uma vez por mês há 7 anos, e o terceiro é um grupo que pode-se dizer  "mais dedicado" (costumo dizer " Xiita"), onde nos reunimos todas as segundas feiras  impreterivelmente. Esse grupo existe há mais de 25 anos , eu faço parte dele há 5 anos, todos são degustadores muito experientes e apaixonados por vinhos.

Nesse último grupo a preferencia de todos, somos em oito amigos , são BORGONHAS, e normalmente tomamos grandes vinhos, você vai notar pelo relato abaixo. Dai que veio minha ideia de colocar "nosso" PN em  nossas degustações, vale dizer que em todas elas, e nos três grupos sempre sao degustações às cegas ...

Veja abaixo como o nosso PN se saiu, me desculpe chamar de "nosso", pois como ja lhe disse, sinto-me extremamente orgulhoso de ter um vinho brasileiro de tamanha qualidade, poder divulgar mesmo que no meu pequeno mundo, coisa que na minha opinião os profissionais que o provaram deveriam (por dever da própria profissão) já  ter divulgado na mídia especializada.


Primeira degustação dia 26/11/2012 : com 6 participantes , degustação de meu grupo "XIITA":

Vinhos :
Fulvia PN 2011 - Atellier Tormentas - PRIMEIRO COLOCADO com media de 96,1 pts
Gevrey Chambertin 1Cru " Aux Combottes" 1988 Domaine Dujac - segundo colocado
Gevrey Chambertin 1Cru " Aux Combotttes" 1997 Dom Dujac - terceiro colocado
Gevrey Chambertin 1Cru " Aux Combottes" 1991 Dom Dujac - quarto colocado
Gevrey Chambertin 1Cru"LavauxSt Jacques" 2009 Denis Mortet - quinto colocado


Segunda Degustaçao dia 17/12/2012 - Grupo XIITA - Restaurante Emiliano em São Paulo:

Vinhos :

Clos Vougeot Gran Cru - 1998 Mongeard Mugneret - primeiro colocado 94,7 Pts .
Fulvia PN 2011 -Tormentas - segundo colocado 94,5 Pts
GevreyChambertin 1Cru Lavaux St Jacques - Armand Rousseau - terceiro colocado 93,8 Pts
Echezeaux-Gran Cru 1995 -Dominique Laurent - quarto colocado 93,7 Pts
Clos La Roche -Cran Cru 1997 - Domaine Dujac - quinto colocado 93,2 pts
GevreyChambertin 1Cru "Clos Saint Jacques" 1995 Armand Rousseau - sexto colocado 93,1 Pts - vale ressaltar que esse é um dos vinhos "MÍTICOS" da Borgonha e o produtor também.
Echezeaux - Gran Cru  1987 Produtor Mongeard Mugneret - sétimo colocado com 92,2 Pts media


Terceira degustaçao - Grupo XIITA - dia 03/04/2013 - Restaurante DOM - São Paulo

Nota: esta degustaçao foi um dia especial para nosso grupo, comemorávamos o aniversario de um dos amigos do grupo e ele mesmo nos presenteou com todos os vinhos degustados e nenhum dos participantes sabia de nada que seria degustado na noite, claro que somente ele sabia.

Vinhos: Observe que neste painel entraram 3 vinhos do Domaine de la Romanée-Conti.... que dispensa apresentações .

- Richeburg - Gran Cru 1979 - DOMAINE DE LA
ROMANÉE-CONTI - Primeiro colocado 95,5 Pts
- Pichon Lalande 1985 - Bordeaux - segundo colocado - 94,5 Pts
- Romanee Saint Vivant Gran Cru 1979 - DOMAINE DE LA ROMANÉE-CONTI - terceiro colocado 94 PTS
- Fulvia PN 2011 - Tormentas - quarto colocado - 93,6 Pts
- Mouton Rothschild - 1990 - Bordeaux - quinto colocado 93,3 Pts
- Echezeaux Gran Cru 1979 - DOMAINE DE LA
ROMANÉE-CONTI - sexto colocado I 93,1 Pts
- Clos La Roche Gran Cru 1993 - Domaine Dujac - setimo colocado 92,4 Pts
- Williams Selyem Allen Vineyard 1995 - oitavo colocado 91,8 pts - ressalto que esse é um dos melhores produtores de Pinot Noir da California


Marco, mais uma vez lhe parabenizo pelo maravilhoso trabalho e espero que continue com o sucesso que vem obtendo. Espero também poder ajudar a divulgar ainda mais seus vinhos.

Forte abraço

Faiçal Murad Filho

Domingo no DiBaco ... Carnes e Vinhos! Carta justa e carnes deliciosas....




Domingão deu um acesso carnívoro. As vezes tenho isso. Fomos com meus pais conhecer uma casa de carnes e vinhos la em Perdizes.  Meus pais já conheciam e eram fãs: DiBaco.


Já conhecíamos o sommelier de la, o super fofo e competente Leonardo, de outros carnavais. Quer dizer, de outros restaurantes, na verdade.... rs

 
 
Olha que eu sou chata pra restaurante. Mas fiquei fã também. Carne excelente, ambiente gostoso, serviço atencioso sem ser chato. E detalhe: uma das melhores cartas de vinho que já vi. Sem excessos, sem vitrine de rótulos caros ou famosos, muitos naturebas....e a menor margem que eu já vi em restaurante. Não deve chegar a 30% em cima do preço de compra. Ou seja, você bebe mais e bebe melhor. E todo mundo fica contente.

 
 
Levamos vinho também, claro. Um Evidence, do Claude Courtois – magnífico. Camomila, flores, manteiga, ervas, mel, tomilho, alecrim, cha, folhas secas, frutas brancas..... uma coisa de louco. Nariz de sauternes e boca seca e acida que deixa você salivando, ávido por um outro gole.

 
 
O tinto foi um presente do Sávio, da Galeria do Vinho: um italiano contrabandeado na mala, da região do Trentino. Vinhão. Claro que os vinhos que ele traz nao sao na mala.... rs , e alias, vale muito a pena conhecer.

 
 
E depois pedimos o Serras del Priorat 2009. Fazia tempo que eu queria provar novamente esse vinho. Experimentei uma vez e uma feira em Paris, mas foi muito rapidamente. O rotulo é lindo. Parece um desenho de criança, com varias joaninhas no vinhedo.

 
 
A joaninha, como eu já disse, é a “marca” dos vinhos naturebas. 

 

É um agente importantíssimo no combate aos pulgões – come cerca de 800 pulgões ao dia -  e é o primeiro bichinho que desaparece do vinhedo quando ele é tratato quimicamente. Ou seja, tem joaninha, o vinhedo é saudável.


Na carta, paguei cerca de 185,00. Se ele aplicasse a margem “habitual” e burra da maioria dos restaurantes, que vai dos 100% aos 200% ( isso quando não colocam 300 ou 400%....), eu teria que desembolsar cerca de 300 reais na garrafa. Não teria pedido, obvio.

 
 
Parabéns pela iniciativa. Se mais restaurantes fossem assim, o consumo de vinho seria bem maior, o mercado giraria muito mais ... e de novo, todos beberiam mais e melhor.

 
 
O banquete começou com mollejas. Amo. Sou apaixonada. Comeria quilos. Bem feitinhas, limpinhas, macias, perfeitas. Depois, atacamos umas Cerras ponto menos, lindas.  E pra finalizar, uma panqueca de doce de leite e sorvete que era para matar qualquer mulher de regime do coração.

No final, ainda tivemos um super prazer de tomar um Monbazillac junto com o proprietário, o Murilo. Delicia de vinho e de papo!

 
 
Recomendo com mil estrelas.
http://www.dibaco.com.br/quem-somos.php

Salut!!!














Meus queridos naturebas.... Vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais!


 
Os naturebas.... 

Sempre que entro no tema dos meus queridos naturebas, um monte de gente acaba me perguntando, afinal, do que eu estou falando....rs.

 

Bom, pra inicio de conversa, o termo “natureba” é como eu chamo, carinhosamente, os produtores e os vinhos que seguem uma linha “saudável”  e consciente de produção. Quando digo saudável, englobo tudo: vinha, vinho, pessoas, meio ambiente, qualidade de vida, qualidade de vinho, sinceridade, equilíbrio, energia, qualidade do ser vivo, bla, bla, bla. Pois o conceito é bastante amplo. O meu conceito de natureba engloba o vinho, mas também engloba dar bom dia para o porteiro, se é que vocês me entendem.

 

Pois bem. Dentro dos produtores que seguem essa linha, existem algumas “divisões”. Coloco entre aspas pois nem eles mesmos acabam se dividindo assim, e a grande maioria não gosta de ser rotulado. Grande parte dos melhores produtores dessa linha nem sequer se considera dentro de alguma dessas categorias, tem algum selo de certificação ou faz marketing em cima disso.

 

Alias, como a maior parte das coisas boas na vida, esse é um assunto bastante controverso e que nem os próprios produtores conseguem chegar a um acordo....rs  parece o sujo falando do mal lavado. Tem biodinâmico que critica o natural, tem natural que critica biodinâmico, tem orgânico que não tem selo, tem natural que coloca sulfito, tem sustentável que é mais orgânico do que o orgânico com selo... ou seja.... no fundo, muito mais do que rotular o que cada um é, o interessante é conhecer o produto e procurar um vinho que reflita seus ideais de vida. Se você esta pouco ligando para o que ingere ou para a qualidade dos produtos e das pessoas que você tem a sua volta, cada um é cada um.

 

Teoricamente ( bem teoricamente ) existem os vinhos orgânicos ( biológicos ), os biodinâmicos e os naturais. Como eu disse, isso são denominações que foram feitas em uma tentativa de classificar as coisas. Entre uma classificação e outra, existe um mundo de possibilidades. E nesses cantinhos é que encontramos algumas das melhores coisas. Pois é. Nada é tão simples quanto parece.

 
 
 

*** O Natural:

 

O vinho chamado “natural” é geralmente o que o pessoal faz de mais “alternativo”. Alternativo, vejam bem, tendo em vista os modos de produção de hoje em dia. São produtores pequenos, familiares, que tentam produzir vinho da maneira mais natural possível. Ou seja, se guiando pela natureza e tentando não interferir em nada nesse processo.  Não se fazem tratamentos químicos na videira e nem no vinho. Não se adiciona conservante ( ou pelo menos, na medida do possível ), não se filtra, etc, etc.  E claro, não se utilizam leveduras selecionadas. Apenas as ditas “selvagens”, ou seja, que já existem no terroir.

 

Parece fácil de entender, mas não é tanto assim. Existem produtores mais radicais e outro menos radicais. Assim como existem produtores melhores e piores. Não é por que você não interfere na natureza que o seu vinho vai ser invariavelmente bom. Na verdade, você tem que ter um patza terroir e ser um ser humano fantástico para ter sensibilidade de fazer um vinho dessa maneira. E claro, temos que levar em conta que a natureza é caprichosa, ou seja, ela pode te dar um vinho fantástico em um ano e no outro, um vinho bem mediozinho.

 

O interessante é que a galera do vinho natural geralmente opta por um estilo de vida natural, e não somente produz vinho dessa maneira. É um pessoal que tenta se voltar um pouco mais para a tradição, para a natureza, para o equilíbrio de tudo.

 

A grande maioria dos vinhos é bem diferente do habitual de prateleira. Não é difícil achar vinhos turvos, com colorações “esquisitas” aos nossos olhos, açúcar residual, gosto de “suco”, aromas animais ou de brett, etc, etc, etc. Para os que não estão acostumados, o vinho natural, na maioria das vezes, pode parecer bem estranho. Eu, por exemplo, adoro. Pois acredito que, quando o produtor é serio, o vinho natural é uma expressão extremamente genuína do terroir.....e da pessoa que o elaborou.

 
( Foto Nadia Jung )
 

*** O Biodinâmico

 

Não, não tem nada a ver com seita e nem com bruxos tilintando móbiles de cristal no vinhedo. Embora, confesso, existam algumas praticas que poderiam causar certas “duvidas” aos olhos menos treinados.

 

O biodinamismo é, basicamente ( pois é outro assunto super extenso ) a aplicação das teorias biodinâmicas de agricultura, baseadas na antroposofia. Sim, estamos falando de Rudolf Joseph Lorenz Steiner. Ou Rudolf Steiner, como todos o conhecemos.

 

A aplicação dessa filosofia é bastante rígida. Ou seja, você não consegue ser “meio biodinâmico”. Ou você é ou você não é. Pois existe uma cartilha gigantesca de coisas que você tem que fazer e de regras que você tem que seguir, inclusive de manejo, colheita, etc, etc.  Geralmente os vinhos biodinâmicos prezam pela mínima intervenção, tratamentos não químicos ( mas sim preparados biodinâmicos) , leveduras selvagens em vez das leveduras selecionadas, e pouquíssima sulfitagem ( adição de sulfito ao vinho como conservante ), com um limite maximo estabelecido para ser considerado biodinâmico.

 

A Demeter estabelece o maximo de 70mg/L em vinhos tintos, 90mg/L em vinhos brancos ou roses e cerca de 210mg/L em vinhos doces brancos.  Um dos papas do bio faz um dos seus principais vinhos com 60mg/l ( Les Vieux Clos, Nicolas Joly ).

 

Sem entrar na pratica da coisa ( quem quiser é só ler o livro do Nicolas Joly acima citado, um dos papas do vinho biodinâmico.... ), o básico da questão é o seguinte: o vinho, para ser equilibrado e saudável, precisa vir de uma planta idem. E para uma planta, ou qualquer ser vivo, estar em perfeito equilíbrio, ele precisa estar integrado da maneira mais natural possível no sistema onde vive. Água, terra, fogo, ar. Ou seja, aqui entra tudo. A lua, o sol, o universo. Pode parecer pretensioso, mas é uma filosofia linda.

 

Os biodinâmicos tem um selo de certificação ( embora muuuitos vinhedos biodinâmicos não sejam certificados, seja por princípios, seja por falta de grana, seja por falta de paciência... ) e o instituto responsável  é o Demeter: http://www.demeter.net/

 

Seguir as praticas biodinâmicas vai muito de cada um para cada um. Fato é que um vinhedo biodinâmico é lindo. Vibrante, cheio de vida e de energia. E seus vinhos são fabulosos. Vale a pena, por exemplo, dar uma olhadela no calendário biodinâmico. Duvido que você não se espante em como um vinho muda suas características dependendo da fase da lua.....rs afinal, se ate o mar muda com a lua, por que o vinho também não?!

 

Contamos aqui com dois nomes de peso para ninguém colocar as praticas em questão: La Coulee de Serrant (http://www.demeter.net/ ) e Romanee-Conti (http://www.romanee-conti.fr/).  

 
 
 

*** Os orgânicos

 

Bom.... os orgânicos são os mais “convencionais” dentro desse povo todo. Basicamente, os tratamentos não podem ser “químicos” , mas sim “orgânicos”. Meio obvio, mas enfim....rs. A sulfitagem também é controlada, e cada pais tem um limite de sulfitagem para ser considerado orgânico.  Geralmente gira em 150mg/L para vinhos tintos.  

 

Alguns órgãos certificadores de vinhos orgânicos: Ecocert, Qualité France, ULSAE, Agrocert, Certipaq e ACLAVE.

 

Muitos vinhos acabam usando o selo de orgânico mais como marketing do que como filosofia de vida. Mas no final das contas, obviamente que é um vinho mais saudável do que um vinho de agricultura convencional.

 
 

*** Os convencionais

 

Eles estão na prateleira do supermercado, na loja de vinhos, no restaurante. Na verdade, hoje em dia, eles são a maioria. São vinhos que não seguem nenhuma das coisas que eu falei ate agora. Alias, são muito mais bebidas alcoólicas industrializadas do que propriamente vinho.

 

Explico o porque: hoje em dia, qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode fazer vinho, por causa da tecnologia. Condições artificiais são criadas para a produção de vinho. Leveduras naturais são exterminadas para que sejam utilizadas leveduras selecionadas em laboratorio, para maior controle e para que o vinho tenha uma linha de aroma ou outra. Processos químicos são feitos para os vinhos adquiriram mais cor ou mais volume de boca. Fertilizantes, pesticidas e agrotóxicos são utilizados nos vinhedos, eliminando pestes, pragas...e qualquer tipo de vida no vinhedo. E claro, conservantes como o SO2 e outros são adicionados em varias partes do processo.

 

O que acontece é que no processo convencional, embora ele permita a produção de vinho em larga escala e o controle da qualidade e da uniformidade dessa produção, os vinhos acabam se tornando muito mais um produto da tecnologia do que propriamente do terroir, do produtor e da natureza.

 

Claro que mesmo entre os produtores convencionais existem aqueles com mais e menos noção. Como tudo. Existem aqueles que fazem tratamentos apenas quando necessário, sulfitam quando necessário, e tentam manter os vinhedos o mais autênticos e saudáveis possível.

 

Mas, em contraposição, existem as industrias de vinho, que fazem produtos massivos e sem se preocupar com nada disso. Muito menos com autenticidade. Alias, o que muitos conhecem como autenticidade, na verdade é produto de tecnologia. Mas estamos tão mal acostumados a beber vinhos fabricados, que a grande maioria das pessoas nem percebem.

 

A grande desvantagem, alem da ingestão altíssima de conservantes e resquícios de pesticidas e agrotóxicos ( que são venenos, não se iludam.... ), é a falta de autenticidade desses vinhos. Hoje em dia, existem vinícolas que você mal percebe se uma garrafa é elaborada com uma uva e a outra, com outra uva. Ou, pior: os aromas são todos tão parecidos entre eles, que a grande maioria das pessoas acaba achando que so existem aqueles aromas no mundo do vinho. Mais triste ainda, grande parte das pessoas aprende a beber e a degustar com vinhos standarizados. Ou seja, vinhos uns iguais aos outros, produtos puramente tecnológicos.